Escolha da nova gestora do Hospital e UPA surpreende Câmara e deixa servidores sem garantia de recontratação em Fabriciano
FABRICIANO – A Prefeitura de Coronel Fabriciano anunciou nesta terça-feira (21) a Santa Casa de Misericórdia de Curitiba como a nova responsável pela gestão do Hospital Dr. José Maria Morais, da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e do Centro de Especialidades Médicas (CEM). A instituição assume os serviços a partir de agosto por meio de um contrato emergencial de 12 meses, período em que o município pretende preparar uma licitação para definir a mantenedora definitiva da rede.
Embora o anúncio represente uma tentativa de colocar fim à crise que há meses afeta a saúde pública do município, a forma como a escolha da nova gestora foi conduzida acabou gerando dúvidas e questionamentos. A ausência de informações detalhadas sobre os critérios adotados para a definição da entidade surpreendeu, inclusive, integrantes da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, que afirmaram não terem sido previamente informados sobre a decisão.
Durante a coletiva de imprensa, o prefeito Sadi Lucca informou que o Hospital José Maria Morais continuará atendendo exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e confirmou que os atuais servidores vinculados à Prefeitura serão desligados para que a nova administradora possa formar sua equipe. Segundo o chefe do Executivo, a expectativa é de que os trabalhadores sejam posteriormente contratados pela Santa Casa durante a vigência do contrato emergencial.
Apesar da promessa de aproveitamento da mão de obra, a declaração não foi suficiente para tranquilizar os funcionários. Entre os servidores, o clima continua sendo de apreensão, já que não há garantia formal de recontratação de todos os profissionais que serão desligados da administração municipal, gerando insegurança quanto à continuidade dos empregos.
Representando a Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, o diretor-geral corporativo Rogério Kuntz afirmou que a instituição já realizou estudos técnicos sobre a estrutura do hospital e que o planejamento para a transição está sendo elaborado em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde. Ainda na tarde desta terça-feira, Kuntz, acompanhado do prefeito Sadi Lucca, visitou as instalações da UPA e do CEM para conhecer as unidades que passarão à nova gestão.
Câmara cobra esclarecimentos
O anúncio da nova administradora, entretanto, não encerrou as discussões sobre a mudança na gestão da saúde municipal. Pelo contrário, a falta de transparência apontada por vereadores reforçou a necessidade de novos esclarecimentos públicos.
O presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, vereador Reinaldo da Saúde, declarou que o Legislativo foi surpreendido pela divulgação da nova gestora e que o processo não passou por qualquer debate com os parlamentares. Diante disso, a Comissão convocou uma audiência pública para a próxima quinta-feira (23), às 17h30, no plenário da Câmara Municipal.
A expectativa é que a audiência reúna representantes da Prefeitura, da nova gestora, profissionais da saúde e a população para esclarecer pontos considerados fundamentais, como os critérios utilizados para a escolha da Santa Casa de Curitiba, os termos do contrato emergencial, o futuro dos servidores desligados pela Prefeitura e as garantias de continuidade e qualidade dos serviços prestados à população.
Assim, mesmo após o anúncio oficial da nova administradora, permanecem dúvidas sobre o processo de transição e sobre os impactos da mudança para trabalhadores e usuários da rede pública de saúde, temas que deverão dominar o debate na audiência pública proposta pelo Legislativo.